Foi um sonho.
Era um banheiro com as paredes cheias
de mofo perto do teto. Não havia janela alguma, tinha vazamento na
privada, o chuveiro era dos mais vagabundos, e a mangueira do
chuveiro parecia enferrujada na ponta, logo depois do nó que deram
na mangueira pra não vazar água.
Tentei, em vão, desatar o nó, e
desisti. Eis que surge a idosa japonesa... era bem velhinha ela,
tinha pelos no queixo, caminhava com passos bem curtos e na mão
carregava uma lâmina de barbear velha, com a mesma ferrugem exibida
na ponta da mangueira.
A senhora olhou pra mim e só conseguiu
dizer uma coisa: “Eu não consigo, eu não consigo!”. Claramente
percebia-se que a senhora era frustrada, pois se boicotava.
Não sei bem como o sonho terminou, mas
tenho a impressão de que eu conversei algo com a velhinha e a ajudei
a desatar o nó da mangueira.
Pra mim, aquela senhora era uma
projeção arquetípica minha, a expressão derrotada que se lamenta
de não ter feito o que nem tentou fazer.
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